Faz tempo que não te vejo.
E, quando olho para trás, quase não reconheço aquele pequeno jovem que andava pelo mundo cheio de certezas rasas, alguns preconceitos herdados e uma pressa imensa de viver. Impulsivo, intenso, às vezes duro nas palavras — mas com um coração incrível, desses que sentem mais do que demonstram.
Ele cresceu.
Cresceu nas quedas, nos silêncios, nas decepções e nas descobertas. Era um estudante cansado de Pedagogia, tentando entender o mundo enquanto ainda não entendia a si mesmo. Escrevia de forma desordenada, como se os pensamentos corressem mais rápido que as mãos. Havia talento, mas faltava lapidação. Havia sonho, mas também medo.
O tempo fez o que o tempo sabe fazer: moldou.
Hoje é homem. Advogado. Aprendeu a organizar ideias como organiza argumentos. As palavras, antes apressadas, agora têm direção. Escreve melhor — não apenas porque estudou mais, mas porque viveu mais. Porque sentiu mais. Porque perdeu e ganhou na mesma proporção.
Algumas coisas não mudaram.
A intensidade ainda está ali. O coração ainda é grande. A impulsividade, embora mais controlada, ainda aparece quando algo realmente importa. Ele ainda acredita demais, ainda se entrega demais, ainda ama com força.
Outras coisas mudaram completamente.
Os preconceitos foram sendo substituídos por compreensão. O cansaço ganhou propósito. A insegurança virou estratégia. O menino que julgava passou a ouvir. O jovem que reagia passou a refletir.
E, no meio desse caminho de quase vinte anos, algo inesperado aconteceu: ele se apaixonou por uma blogueira. No início parecia improvável, quase irônico. Mas a vida tem dessas coincidências que mais parecem destino. Hoje vive com ela. Divide planos, medos, risadas e responsabilidades. Divide o agora e constrói o depois.
São quase vinte anos entre o “quem eu era” e o “quem eu sou”.
E talvez o mais bonito não seja o título conquistado, nem a profissão exercida, nem a escrita aprimorada.
Talvez o mais bonito seja perceber que, apesar das mudanças, a essência resistiu.
Aquele pequeno jovem impulsivo ainda existe — mas agora é guiado por maturidade. Ainda sente muito — mas entende melhor. Ainda erra — mas assume. Ainda ama — mas escolhe ficar.
Faz tempo que não te vejo.
Mas olhando com atenção, percebo que você sempre esteve aqui. Apenas cresceu.
























